Criando Dongos e mercóis




Muita gente me pediu para falar sobre a criação de dongos e mercóis, e por isso gravei o vídeo acima e trago aqui mais informações. Comecei a criar eles há mais de um ano, estas foram minhas primeiras ninhadas:

primeira nichada de mercois 2016
segunda ninahada de dongos 2016

A criação de dongos e mercóis não é difícil, porém é necessário ter os equipamentos básicos, limpar com frequência as caixas de biotério, dar uma alimentação balanceada e assim você oferecerá uma nutrição adequada a sua coruja ou demais aves de rapina.

Caixas de Biotério
As caixas de biotério são a melhor escolha para criar roedores para alimentação. Primeiro porque elas não permitem fugas, segundo porque o alimento não fica em contato com as fezes, e terceiro porque permitem o uso de bebedouros de um litro ou até dois bebedouros por caixa, o que facilita nos cuidados. Para forração eu utilizo maravalha, que compro em fardos de 20 kilos.


Minhas caixas e os sacos de maravalha embaixo. 

Matrizes
Eu recomendo comprar matrizes diretamente de um biotério, para que vocês tenham animais de qualidade e boa genética, que irão reproduzir adequadamente e terão uma ótima saúde. Minhas matrizes vieram do biotério de uma universidade da minha cidade, apenas um casal veio de um amigo que também cria e por isso são ratos de duas cores, o restante são todos albinos (brancos de olhos vermelhos).

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Alimentação
Você deve dar a ração para roedores Labina, junto com ração de cão ou gatos (eles preferem a de gatos). É importante complementar a alimentação com grãos e vegetais, pois os ratos são onívoros e se você apenas fornece uma alimentação rica em proteína eles acabam tendo problemas de saúde. Eu complemento com milho, cenoura, jiló, folhas escuras variadas (couve, repolho e suas folhas, etc) de uma a duas vezes por semana. Sementes de girassol são dadas esporadicamente, já que são muito gordurosas.

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 Complementando a alimentação: jiló, cenoura e folhas de repolho.

Limpeza
É importante limpar as caixas uma vez por semana. Eu tenho caixas extras então eu já pego uma caixa limpa, coloco a forração e troco os ratos/dongos de caixa, um por um, segurando pelo rabo. Eu uso luvas para evitar que eles me arranhem, porque especialmente os mercóis que são muito fortes, podem dar “coices” quando os seguramos pelo rabo. Meus ratos não foram amansados, porém permitem o manuseio tranquilamente e nunca me atacaram. Como logo após a limpeza eles ganham alimento, e especialmente verduras, eles associam a limpeza com a recompensa, e, portanto não se importam com o manuseio.


Como escolher o que criar? Dongos ou mercóis?
A escolha deve ser levada em conta com a sua ave, com o seu espaço disponível para a criação, e até mesmo pela sua preferencia em termos de manuseio. Muitas pessoas acham os camundongos mais fáceis de criar por serem menores, outros preferem os ratos. Eu já criei os dois, e hoje estou apenas com caixas de mercóis por ser mais fácil seu manejo e pelo odor ser bem menor do que o das caixas dos camundongos.

A composição da urina dos camundongos é diferente, e, portanto o fedor é muito maior. A limpeza das caixas de camundongos deve ser feita duas vezes na semana para evitar o odor forte. Mesmo com menos de uma semana desde a última limpeza, se formam placas na maravalha que além de terem um odor forte normalmente aparecem larvas. Nas caixas de mercóis isto nunca ocorre, a forração fica cheia de fezes e urina, porém seca e sem larvas.

O manuseio dos dongos é mais complicado por eles serem bem pequenos e muito ágeis, então para quem não tem experiência fugas podem ocorrer. Os filhotes ao serem desmamados estão na fase “pipoca”, quando pulam se chocando na grade que tampa a caixa, por isso nunca se deve tirar a tampa, apenas levantá-la o suficiente para ir pegando um por um.

Por tudo isso eu recomendo a criação de mercóis, são mais fáceis de manusear, fazem menos sujeira e produzem mais carne mais rapidamente. Para quem tem corujas e querem oferecer o alimento inteiro, basta abater os filhotes de mercóis quando eles atingem o tamanho e peso de um camundongo adulto.


Reprodução
Eu mantenho duas fêmeas para cada macho de mercol e três fêmeas para cada macho de camundongo. Eu já consegui entre 9 a 12 filhotes para cada fêmea de mercol e entre 10 a 15 filhotes para cada fêmea de camundongo.

 Filhotes de mercol

Abate
O abate que realizo é por deslocamento de cervical, lembrem-se sempre de abater de forma rápida e indolor. Depois eu coloco em sacos de congelamento e coloco no meu freezer. Eu tenho duas gavetas só para os ratos. Eu também coloco alguns dentro de vasilhas plásticas.

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Mais informações
Se quiserem saber mais eu sugiro a leitura dos seguintes documentos em pdf de biotérios de universidades brasileiras, que explicam tudo sobre a criação de roedores, do ponto de vista científico:






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Kátia Boroni.

Falcoaria no Antigo Egito: é possível?



De acordo com as recentes descobertas da equipe do Egiptólogo Dr. Salima Ikram é bem provável que sim!

É uma tarefa quase impossível determinar com exatidão quando a Falcoaria começou, já que esta arte é tão antiga que tudo indica que sua origem data de épocas anteriores à tradição escrita. Graças a recentes descobertas arqueológicas, entretanto, a hipótese de que a falcoaria tenha sido praticada no Antigo Egito é cada vez mais forte.



Os falcões fazem parte da simbologia egípcia, aparecendo como símbolo de dois dos Deuses mais importantes de sua mitologia: Rá e Hórus.

Rá é considerado o Deus do Sol do antigo Egito, durante o período da Quinta dinastia ele se tornou uma das principais divindades, identificado com o sol e sempre representado com a cabeça de um falcão. Seu centro de culto principal era a cidade de Heliópolis. A espécie de falcão normalmente encontrada mumificada como oferenda é o Falco tinnunculus, conhecido como peneireiro vulgar.
  

Hórus é o Deus dos céus, filho de Osíris e Ísis. É representado com a cabeça de falcão, e seus olhos representavam o sol e a lua. Seth conhecido como Deus do Caos mata seu pai Osíris, e na luta por vingança e pelo comando do Egito Hórus perde o seu olho esquerdo, e passa a usar um amuleto no local, chamado de olho de Rá (posteriormente conhecido como olho de Hórus). Este amuleto simbolizava o poder real e foi o amuleto mais utilizado no Antigo Egito, sendo popular até hoje já que se acredita que o amuleto, agora chamado também de Wedjat, afaste o mau olhado.

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 Estátua do Deus Hórus no Templo de Edfu  (também conhecido como Templo de Hórus), Egito.


De acordo com o estudo publicado em 2015 no Journal of Archaeological Science, Dr. Salima Ikram,  (professor de egiptologia na Universidade Americana no Cairo) e sua equipe sugerem que os Egípcios reproduziam aves de rapina em cativeiro. A descoberta se deu após análise de uma múmia de um falcão peneireiro vulgar (Falco tinnunculus) que sofreu uma alimentação forçada de camundongo, o que provocou a sua morte. Já era questionado como os Egípcios conseguiram tantas aves de rapina para oferecerem em sacrifícios sendo mumificadas, mas só agora há indícios de uma possível reprodução e manejo destas aves em cativeiro, como diz o Dr. Salima Ikram:

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“A ideia de que as aves de rapina foram criadas até o ponto de serem mantidas e submetidas à uma alimentação forçada é nova ".


Normalmente as vísceras eram retiradas dos corpos durante o processo de mumificação, porém alguns animais eram mumificados com seus corpos completos, o que permite os especialistas analisarem o seu conteúdo estomacal. Este foi o caso deste falcão em particular, e por isso foi possível analisar qual teria sido sua última refeição. Foi encontrada a cauda de um camundongo (Mus musculus), o que indica que o falcão morreu por alimentação forçada causando asfixia. Os resultados dos exames do seu trato digestivo mostram que ele já havia se alimentado com outro camundongo naquele dia, além de terem encontrado também outros fragmentos de camundongos e até mesmo de um pardal.


Esta descoberta foi celebrada pelo Dr. Salima Ikram, já que sugere uma explicação para o mistério do enorme número de múmias de aves de rapina, assim como demonstra a possibilidade do uso destas aves também para a falcoaria.

"Até agora, o número enorme de múmias de aves de rapina era um mistério - eles as pegavam ou as capturavam e as matavam, ou as coletavam de ninhos, ou as encontravam mortas? (...) Nossos resultados explicam por que eles tinham tantas: agora pensamos que foi por causa da reprodução ativa. (...) Em conjunto, esses fatores fornecem, pela primeira vez, fortes indícios de que os antigos egípcios mantinham essas aves em cativeiro, com a possibilidade de terem também estabelecido um programa de reprodução em cativeiro, favorecendo a oferta de machos sobre fêmeas. (...) Isto estabeleceria a possibilidade de um programa controlado de reprodução em grande escala para aves de rapina no Egito, conduzindo à especulação sobre seu possível uso na falcoaria.”
Dr.  Salima Ikram (tradução nossa)





Ainda há muito que se descobrir sobre a fascinante civilização egípcia, e quem sabe com mais estudos poderá ser comprovado que a falcoaria foi praticada pelos faraós? Com certeza isto levaria a expressão pela qual a falcoaria era conhecida na era medieval como  o “Esporte dos Deuses” a um novo patamar.

Fonte:

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